terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Filosofia da Estrada

Entre as várias aventuras destes últimos anos, tem sido marcante pra mim a quantidade de viagens que tenho feito no dedão (a popular carona). Na verdade, eu não estico o dedo na beira da estrada, mas uso plaquinhas indicando para onde vou. É um jeito barato e divertido de pegar estrada, apesar de um pouco arriscado. Mas vale a aventura.

Primeiro de tudo, é que eu sempre peço carona fardado. E com uma identificação de “bombeiro”na plaquinha. Isso ajuda muito, pois grande parte das pessoas que me ajudaram só parou por eu estar fardado. Além disso, existe um espírito fraterno entre os militares, haja vista que muitos irmãos de farda, inclusive da reserva (aposentados), já me ofereceram ajuda pelas várias cidades que zanzei.
Outro fator importante que me ajudou nisso é ser homem. Infelizmente, para as mulheres, pedir carona é atrair problemas. Ainda mais sozinha.
E falando em mulheres, vou destacar, dentre as dezenas de caronas que já peguei por aí, as valentes mulheres que me ofereceram auxílio na estrada. Não parece, mas quem dá a carona passa muito mais medo do que quem pega. Ainda assim, durante minhas viagens, já tive o privilégio de contar com a ajuda de mulheres corajosas, que durante a conversa no trajeto, se mostraram pessoas decididas e inteligentes. Todas elas. O melhor é que a viagem passava que eu nem percebia, pois a conversa sempre fluía.
Mas enfim, fica neste post uma pequena homenagem a todos os destinos que se cruzaram com o meu na beira da rodovia. Pessoas de diversas crenças, classes, personalidades e objetivos. Grande parte delas eu provavelmente nunca mais verei, mas fica um eterno muito obrigado pela ajuda que me ofereceram nos dias em que ansiava por visitar minha família ou voltar para meu trabalho.
E no dia em que eu for o motorista, que Deus me permita ser compreensivo e útil para o estudante ou militar que estiver beirando o acostamento, com uma plaquinha nas mãos e uma cidade no coração.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um dia desses... # 04

Quando morei em Maringá, durante o curso de soldados do Corpo de Bombeiros, vivia sob uma rotina militarizada e, frequentemente, desesperadora. Acordava (muito) cedo todos os dias, fazia a barba até sangrar os poros, tinha aulas desde manhã até o ocaso do dia e treinava corrida e natação a semana toda. Natação, especialmente, foi um desafio a parte, pois além dos treinamentos no quartel, pagava academia particular e nadava todas as noites que tinha disponível, dado meu fraco desempenho na água, que precisava ser melhorado a qualquer custo. Nessa rotina, era comum ter sono o dia inteiro, e dormir durante uma aula, aliás, PISCAR durante uma aula já era motivo suficiente para ter seu nome anotado e designado para passar parte do final de semana no quartel trabalhando, como forma de punição. 
E os meses seguiram em minha obsessão de se tornar bombeiro. Durante o início do curso, abdiquei de tudo. Fiquei meses sem ver minha família, perdi contato com amigos e minha única dedicação era estudar, treinar, estudar e treinar. Loucamente, sem descanso ou trégua.


Não adiantou.

Tomava bomba a cada prova com notas medíocres. E a falta de sono me estressava, me tornando agressivo com as brincadeiras e provocações dos colegas, e fazendo eu me odiar ainda mais, pois sabia que me dedicava apenas àquilo. Durante quase três meses permaneci nesse enlouquecimento até que a solução veio de forma simples e espontânea.  Num certo final de semana, peguei minha bicicleta, saí do quartel e descansei minha mente. Ia ao cinema, comprava livros, brincava no fliperama (foi em Maringá que viciei no Pump It Up, a famigerada máquina de dança) e dormia mais. O resultado não foi diferente: minhas notas decolaram e, acredito eu, se tivesse feito isso desde o começo do curso, teria conseguido uma classificação muito melhor como soldado.
Mas o fato que quero ressaltar foi num dos sábados livres, onde eu adorava passear pela quente e divertida Maringá. Durante uma visita ao Mercadão Municipal, parei numa barraquinha de tapioca e garapa, e enquanto não era atendido, folheava uma bíblia deitada no balcão. Logo, fui atendido por uma senhora muito solícita, e conversamos um bom tempo sobre religião, enquanto eu bebia muuuita garapa gelada. Com o passar das semanas, passei a frequentar o lugar e conheci também sua filha, uma jovem  que a ajudava nos afazeres. Ambas pessoas muito simpáticas. Durante todos os meses que morei em Maringá, foram algumas das pouquíssimas pessoas novas que conheci (de fora do quartel).
Por fim, em dezembro, recebi de presente um Tsuru, a garça feita em origami, que, de acordo com minha pequena amiga, é um desejo de boa sorte às pessoas que se estima.
A parte triste da história foi nos seguintes meses, quando me formei e fui transferido para Campo Mourão. Numa ida à Maringá, posteriormente, decidi visitar aquela barraquinha de garapa onde as tantas conversas que tive mantiveram meu psicológico no lugar durante o período de curso. O local havia fechado.
E desde então, nunca mais vi a dona e sua filha, que foram duas das amizades mais importantes que fiz nessa fase da minha vida que me mudou tanto. Independente disso, restaram três coisas: as lembranças das divertidas conversas de sábado à tarde; a gratidão pelo apoio psicológico, mesmo que indireto; em um Tsuru.
Que está me levando pra cada vez mais longe...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Kiv " . . . . . . . .

Um dia existiu um pedaço de mim chamado Kiv.
E ele era mais ou menos nesse naipe:

Nome de uma certa garota,


                Certos momentos são tão breves que acabam por nunca perder seu encanto. Tornam-se uma memória de poucas imagens, mas ainda assim, algo vívido, flamejante e intenso. E a dúvida que suscitam torna estas memórias ainda mais sedutoras aos olhos de quem tem nas palavras um refúgio para quando o coração transborda e encontra na poesia seu escoadouro.
                Por você guardo estes pequenos episódios. Quantas vezes eu lhe vi? Talvez três ou quatro, mas o suficiente para me aguçar algo muito além do que se classifica hoje como atração. Conheço-te pouco e por isso não posso dizer que te amo, posto que o amor é o estágio final, estável, reto e contínuo de um relacionamento que se desenvolveu em todas as suas fases. Entretanto, guardo a centelha que você me despertou por todas as suas belezas, inclusive a de espírito, a qual ouvi muito falar. Felicite-se, pois muitas pessoas a admiram, e fizeram questão de divulgar isso. A tal ponto que um certo peregrino ouviu todas essas coisas a tempo de contemplar seu rosto uma última vez antes de partir para seu novo mundo, sua meta, seu destino, sua Jerusalém.
                Se tudo o que ouvi lhe confere a sua maneira ser, continue sempre assim e inspire a todos que cruzarem seu caminho, seja àqueles que lhes deram as mãos, que andam ao seu lado, ou mesmo aqueles que apenas passaram tangencialmente por você. Neste caso, eu.
...

Kiv precisava sempre de uma musa para se manter vivo. 
“Kiv” era Yin, “Dee” era Yang. …Ambos se tornaram Fábio. Que não era nada.


Romanticide - Nightwish
Essa acompanhou Kiv por muito tempo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por Deus, pela Pátria, por DeMolay # 02

Apesar da data especial já ter passado há vários dias, eu não conseguiria dormir em paz se não fizesse a homenagem que fosse pelo dia 8 de novembro.
Nesta data, há 52 anos, Frank Sherman Land abandonou as obras terrenas e se juntou ao Pai Celestial, seu Grande Arquiteto.

Este mesmo Tio Frank, em 1919, criou a Ordem DeMolay, que durante as décadas se consagrou entre as maiores organizações juvenis do mundo e cruzou o destino de milhões de adolescentes e rapazes, entre os quais, eu.
Esta Ordem trouxe amigos a um adolescente agressivo e solitário. Tornou-o mais calmo, apresentou-lhe conceitos de liderança, deu-lhe a oportunidade de viajar e conhecer pessoas de um estado e de um país inteiro. Ajudou-lhe a desenvolver sua arte e até mesmo teve participação decisiva na empreitada para seu futuro emprego – que hoje é uma dádiva presente.

E, enfim, 2009, a Ordem deu-me um fardo para o resto da vida. Que isto seja compartilhado, e que as linhas abaixo sejam sempre cobradas de mim.

Juramento do Grau Chevalier

Eu, Fábio Batista Lara, na presença de Deus todo poderoso e destas testemunhas aqui reunidas, eu solenemente prometo, contrato, e juro que irei, de agora em diante, militantemente e com a mais profunda devoção, servir a Ordem DeMolay e as verdades que ela ensina.

Renovo agora e para o futuro, todos os votos e juramentos feitos na Ordem DeMolay.

Prometo e Juro, lealdade perpétua e serviços a minha Pátria, em todos os setores de diligências e que serei sempre um oposicionista a tumultos, anarquias, ou qualquer distúrbio que possa ferir o bem maior o meu País.

Prometo e Juro, que estarei em constante luta contra a ignorância, a superstição e as forças do mal que possam perverter ou escravizar a juventude.

Prometo e Juro que sempre me esforçarei para servir a Deus.

Prometo também que procurarei, daqui em diante, ser um melhor homem do que tenho sido até agora.

Eu, muito solenemente, prometo e juro que, daqui em diante, no dia 08 de novembro de cada ano, como forma de reverenciar a memória de nosso Fundador, FRANK SHERMAN LAND, estarei em comunhão com um Irmão Chevalier, ou com uma Corte de Chevaliers onde quer que eu esteja e se isso não for possível, repartirei o pão com um DeMolay Ativo ou um Jovem em sua adolescência.

Assim Deus me ajude!
video


Obrigado por ter mudado minha vida, Tio Frank, mesmo que indiretamente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um dia desses... # 03

Coisas estranhas costumam ocorrer quando os dias se tornam cinzas em minha cidade...

Mas neste feriado de Finados, o fato estranho se deu abaixo de um céu azul, de nuvens velozes e uma ventania que só Guarapuava conhece...
Minha família sempre acorda cedo para prestar as devidas homenagens do dia de finados. Este ano não foi diferente e, estando eu de férias e em casa, acompanhei meus pais pelos três cemitérios onde queridos amigos, parentes ou não, saldaram a dívida que todo homem paga.
Primeiro, visitamos o túmulo de meus avós paternos, que me deixaram antes de eu poder conhecê-los, minha avó, inclusive, muito antes de eu nascer. A seguir, para os parentes de minha mãe, incluindo minha bisavó Narcisa, que me deixou em 2002. Isso foi particularmente doído, pois eu gostava muito dela. Queria que estivesse viva pra contar tudo o que fiz nestes anos, como virei minha vida de cabeça para baixo...

Mas por fim, o que realmente me intrigou foi no último cemitério, quando visitamos o túmulo da Nice, minha vizinha, que me criou como um filho durante minha infância e adolescência e passou pela transição recentemente, em 2009. No caminho para o local de seu enterro, me deparei com um túmulo e um porta-retrato familiar. Uma menina, de dez anos. Familiar, pois nos dias seguintes ao falecimento da Nice, vi o retrato dela caído dentro da “casinha” de seu jazigo e o arrumei. Senti uma tristeza estranha. Ela falecera em 99, e se estivesse viva, teria aproximadamente minha idade. Deixei o fato passar, e dois anos depois, estava eu em frente ao mesmo retrato da menina, vendo seu nome abaixo da foto. Arrepiado.
Em respeito à família e memória dela, não divulgarei seu nome, mas o que me intrigou foi que esse mesmo nome me invadiu a cabeça durante a semana que precedeu finados. Eu ficava insistentemente tentando lembrar onde tinha visto tal nome, se era de alguém conhecido que eu apenas não recordava, mas fiquei, sem sucesso, remoendo essa dúvida. Até aquela manhã ensolarada e fria, quando me deparei com ele, gravado na lápide de uma criança que hoje seria jovem...
Sim, acredito ingenuamente em sinais discretos na vida.
Parei naquela lápide de uma pessoa totalmente desconhecida para mim. E rezei por ela.
E segui destino.

Para concluir, deixo o tema de “Eu sou a Lenda”, orquestrado por James Newton Howard, música que ficou martelando na minha cabeça durante toda a manhã que percorri os cemitérios.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Reencontrando Mestres

Aproveitando minhas férias, decidi, motivado pela mãe de dois amigos meus, visitar o colégio onde estudei desde a quinta série até a conclusão do ensino médio, há seis anos: o saudosíssimo Padre Chagas.
Reencontrei muitos dos meus professores e realmente foi divertido relembrar histórias e poder contar o que fiz desde minha saída. Apesar de ter sido um “encosto” durante os dois dias que apareci por ali, azucrinando-os nos horários do intervalo, fiquei muito feliz de ter feito isso.







Quando se é adolescente, não se costuma dar valor pelo que se ganha. Parece que só com a idade (e com o mundo batendo na sua cara), a gente se apercebe quão importante é o início, o cultivo do conhecimento e da cidadania. E obviamente, uma fatia destas virtudes é fomentada pelo professor.
Quando concluí o ensino médio e entrei na faculdade de Física, meu objetivo era claro e certeiro: ser professor. Estudei, trabalhei, fiz estágios em colégios, lecionei também, mas justamente no último ano de faculdade minha vida guinou completamente, me levando para outra cidade, outro destino, e abraçando outra carreira, da qual igualmente me orgulho. Entretanto, isso não apagou meu desejo de ser um mestre, ensinar o que sei aos que ainda desconhecem e, óbvio, manter humildade e mente aberta para sempre aprender, seja com colegas e iguais, superiores e até mesmo com as pessoas mais simples e as crianças.
Fica então meu agradecimento aos mestres de minha adolescência. O conhecimento que tive na escola me conduziu para a faculdade e posteriormente para aprovação em um dos concursos mais concorridos do Estado. É, professores, sei que a vida docente é rigorosa e por vezes ingrata, mas é digna de toda a admiração.
E antes que eu esqueça, o Colégio Estadual Padre Chagas recentemente recebeu a visita do grande Flávio Arns, pois tornou-se destaque no desempenho no ENEM. E a cada ano sempre são muitos os aprovados nos vestibulares. Que Deus ilumine sempre essa escola e abençoe os homens e mulheres que fazem dela um lugar de real aprendizado!

Dedicatória especial aos professores que me deram aula desde quando eu tinha metade do tamanho atual:


Professora Ana Maria, minha professora de historia que, na sexta série, me indicou um livro que seria, futuramente, muito importante para mim: O Papa Negro.





Professora Roseli (a direita), que sempre nos cobrava rigor e dedicação em história e sociologia, e professora Glaci, que pacientemente me atendeu muitas dúvidas da língua inglesa quando eu jogava videogame e não sabia o que estava escrito (até hoje exercito inglês com jogos e filmes XD)



Professor Sinval, com certeza um dos mestres mais notórios por sua inteligência matemática, física e didática. Um dos maiores exemplos que tomo até hoje, como professor e pessoa.



Professora Marileusa, que acompanhou-me nas minhas redações até a premiação no Programa Agrinho, em meados de 2001, por um texto sobre meio-ambiente. Ganhei uma bicicleta, que pelos 8 anos seguintes foi minha inseparável companheira.



Professora Estela, que lecionou-me português na quinta série, e que, a cada redação que nos mandava redigir, aumentava mais e mais minha vontade de escrever (um dia eu publico um livro, aguardem...).


Infelizmente, estes são apenas alguns dos meus professores que tive o privilégio de clicar, mas futuramente pretendo visitar o colégio novamente e "pescar" os outros!

E por hoje é isso!


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma camiseta e uma espada





Em meados de 2009 passei por um período de renovação marcante. Em total decadência na minha faculdade, reprovado no terceiro ano de Física, já não tinha motivação nenhuma para estudos e aos poucos me tornei uma criatura, que tanto professores e colegas tinham medo. Não conversava com ninguém e nunca dava risada. O meio acadêmico tinha me tornado paranóico, por vários motivos que não convêm citar aqui.
Foi nesse período que surgiu uma fagulha. Convidado por um colega, experimentei uma aula de uma nova arte marcial na cidade, de origem argentina, mas raízes e tradições orientais. Bugeiko, cuja tradução seria a arte do guerreiro tradicional. Diferente de outras escolas, não treinava competidores, arraigava uma filosofia profunda e exigia um comportamento reto e muitas mudanças na vida de seus praticantes. Começava aí a minha...
Pratiquei Bugeiko por mais de um ano até o fatídico adeus de minha cidade, quando fui residir em Maringá.  Consumido de saudades, restaram as lembranças de uma vida que tive durante um ano, onde ganhei uma nova filosofia, evoluí fisicamente e tive uma família – mais uma irmandade –  cujas lembranças mais fortes estão em minha espada de madeira, “o olho da escuridão”, presente de meu mestre Kyoshi; e minha surrada regata “Bugeiko Brasil”, hoje desbotada e fedorenta, mas dona de um espírito que me torna valente e sincero, forte e benevolente.





Passei muita coisa dentro daquele dojô, tantas que merecia um blog a parte para contar tudo. Mas minha principal intenção neste post é prestar uma breve homenagem aos mestres e alunos que foram meus companheiros de guerra num período tumultuado de minha vida, e que, apesar de não poder mais praticar a arte, ela me deixou uma boa e profunda cicatriz na alma.


Domo Arigato Gozaimashita, Inzando Ryu!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Por Deus, pela Pátria, por DeMolay # 01


Dia 30 de setembro completei 23 anos de caminhada. Entretanto, esse número não é lá muito relevante para mim. Para os membros mais devotados da Ordem DeMolay, depois de completar 21, cada aniversário passa a ser uma referência de quanto tempo você é Sênior DeMolay. Lá se foram dois anos...
O maior desafio de um Sênior nunca foi escrito. Pelo menos nunca vi nem ouvi falar em alguém que tenha registrado essa turbulenta passagem para a vida adulta. Por isso o que passei e passo têm sido tão desafiador e complicado.
Tudo que a Ordem me ensinou pode facilmente ser sufocado por um mundo tentador e hedonista. Manter viva as sete virtudes como um adulto é um desafio digno de Cavalaria.

Manter o amor filial vivo mesmo tão longe de minha casa e minha família;

Manter a reverência pelas coisas sagradas mesmo quando o mundo me oferece tantas alternativas de fé e meu coração fica confuso no meio de tantos “caminhos corretos”;

Manter a cortesia mesmo quando o militarismo me embruteceu e o trabalho me estressa a ponto de ser grosso com colegas de farda e civis;

Manter o companheirismo mesmo quando não me sinto tão a vontade em confiar em pessoas que não foram iniciadas comigo, sabendo que a vida vai muito além do templo;

Manter a fidelidade mesmo quando tudo: TV, internet, revistas, meu círculo social, mostram um estilo de vida descompromissado, infiel, sem noção, que sopra em minha mente, lutando e me contaminando;

Manter a pureza mesmo quando a maioridade se torna sinônimo de liberdade absoluta e tudo conspira para me dizer que minhas convicções não são coisas de “homem de verdade”: abstinência de álcool e outras porcarias, virgindade, cautela nos relacionamentos...

Manter o patriotismo mesmo quando sou tachado de louco por amar um país de tantos corruptos, em todas as áreas, e pior ainda, quando começo a me perguntar se não estou realmente sendo tolo em acreditar na minha bandeira.

Pode parecer assustador mencionar tudo isso, mas assim o é. Entretanto, o que minha adolescência dentro da Ordem moldou em mim são as armas para lutar contra tudo isso. É assim que eu desejo me tornar um adulto de virtudes e limar, pouco a pouco, as nuances negativas de meus comportamentos, palavras e ações...

... for “None walketh the path that divides night from Sir Knights”…


Juramento Público dos Seniores (DeMolay Alumni)
Eu, Fábio Batista Lara, juro e prometo que a partir dos meus atos, postura e comportamento, transmitirei confiança à minha comunidade, sendo um referencial de liderança aos mais jovens e um exemplo aos homens de bem.
Juro dedicar-me à participação de trabalhos voluntários e de assistência social, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.
Prometo envidar todos os meus esforços no sentido de colaborar com desenvolvimento da Ordem DeMolay, e perante todos reconsagro-me aos grandes ideais desta Ordem, reafirmando todos os juramentos e promessas feitas durante as cerimônias pelas quais passei.
Assim Deus me ajude!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Um dia desses... # 02


Dia 22 de setembro é o dia mundial sem carro. A data é bonita e eu a sigo militantemente todos os dias com minha querida bicicleta (hehe). Apesar da intenção do dia (diminuir o número de acidentes e poluir menos nosso surrado planeta) só na manhã desta quinta-feira a guarnição que antecede a minha atendeu quatro ocorrências envolvendo veículos, numa estatística muito irônica...
Nesta mesma manhã também ocorreu uma solenidade, reunindo autoridades municipais e como encerramento, o Corpo de Bombeiros realizou um simulado de atendimento a um acidente de trânsito grave. A cena era a seguinte: dois carros destruídos foram colocados frente a frente, simulando uma colisão frontal com três vítimas. Eu, que estava de folga nesse dia, fui convidado pra fazer uma escala extra e ficar de vítima de um dos veículos. Como sou magro e baixinho, adentrei no veículo mais destruído com facilidade, onde seria libertado das ferragens com os desencarceradores hidráulicos. Servir de vítima é interessante, ajuda a ter uma noção do drama que as pessoas acidentadas passam, a única coisa ruim é ficar todo melecado de molho de tomate simulando sangue (se bem que xarope de glicose é ainda pior...).
Mas enfim, o que quero contar foi um ocorrido pouco antes de o simulado iniciar. Os dois carros destruídos, utilizados no evento, foram de ocorrências que aconteceram há alguns meses atrás em Campo Mourão. Um deles vitimou uma família inteira vinda de Curitiba, e o outro (um Astra preto) era de um rapaz que faleceu num acidente envolvendo outros dois veículos. Ambos acidentes terríveis e recentes.
Uma senhora se aproximou do local, chegou perto do Astra e olhou o veículo, como se estivesse o reconhecendo. Deu a volta por trás e não teve dúvidas. Pôs a mão na boca e se retirou do local. 

Chorando.

Era a mãe do rapaz cuja vida se foi dentro daquele carro meses atrás.
A intensidade desse momento está me perturbando até agora. Sou novato na Corporação, mas  já vi sangue, mortos, gente totalmente destruída, carbonizada... Mas sem dúvida o mais torturante é ver aqueles que ficaram. Com a tristeza desse mundo pesado dos vivos. Esposas viúvas, filhos órfãos, e o pior de tudo, pais e mães enterrando filhos...
De vez em quando bombeiro também chora. Escondido, num cantinho, pois na hora da ocorrência, a única coisa que pode escorrer é suor.

Raciocínio, competência, resiliência. Sem jamais perder a humanidade.
Amém.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Espelho paterno e sorvete superfaturado

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...
Esse verso nunca foi tão verdadeiro, especialmente pra mim. Certo dia, em que estava de serviço, um colega e eu conversávamos sobre nossos pais (no caso dele, in memoriam). Meu colega deu risada quando falei da juventude do meu pai. Fui acusado de plagiar a vida do meu velho. E não é pra menos. Quando parei pra analisar, até me deu um arrepio...



Meu Pai: José Acyr de Lara (vulgo Zezinho, Caloi...)
- Começou a trabalhar formalmente com 16 anos (apesar que já fazia bico muito antes);
- Andava de bicicleta todo dia, o dia inteiro;
- Morou numa pensão;
- Mandou a faculdade (Geografia) pra putaquepariu no último ano pra resolver sua vida e a da família;
- Fazia teatro;
- Escreve poesias e compõe músicas;
- Viajou o Paraná inteiro (e um tanto do Brasil) com o grupo de jovens que pertencia (Coral Universitário);
- Quando estabilizou no serviço, comprou a moto mais invocada da época.

Eu: Fábio Batista Lara (vulgo Frodo, Dee...)
- Comecei a trabalhar formalmente com 16 anos (estagiário, mas tá valendo)
- Ando de bicicleta todo dia, o dia todo;
- Moro numa pensão;
- Mandei a faculdade (Fïsica) pra putaquepariu no último ano pra virar bombeiro e resolver a minha vida e da minha família;
- Fiz teatro por anos, e se pudesse, faria até hoje;
- Escrevo poesias e já compus música;
- Viajei o Paraná inteiro (e um tanto do Brasil) com o grupo de jovens que pertenci (Ordem DeMolay)
- Em breve – mais estável no serviço – comprarei uma moto Custom (e vou pegar estrada!);

Outra coisa engraçada que meu pai me contou foi quando começou a trabalhar estavelmente e resolveu não passar mais vontades (em vista da infância penosa que teve). Comia doces e porcarias todo dia, tendo uma particular obsessão por leite condensado na lata (mania que o mandou para o hospital certa vez...).
No meu caso, recentemente, já bombeiro formado, comecei com algumas manias esquisitas, tipo, comprar playmobil e comer Kinder Ovo pra ganhar o brinquedo surpresa (minha infância foi muito melhor que a do meu pai, mas como toda criança brasileira padrão, passei vontade de muita coisa...). Outra coisa também que me atacava as lombrigas, mas não tinha coragem de fazer, foi comprar um certo sorvete da marca Haagen Dazs. No começo desse mês, com o pagamento na conta e o bolso fofo, resolvi experimentar a guloseima. Gastei preciosos vinte reais num potinho de sorvete de cheesecake com morango e bem, o que tenho a dizer: maravilhosamente delicioso é, mas pode ter certeza que é o tipo de coisa que valeu só pela experiência única. E que fique nisso.
Recomendação: se você trabalha, paga suas contas e faz malabarismo com suas economias, vale experimentar, mas tem muito sorvete mais barato e quase tão gostoso quanto... agora, se dinheiro não for seu problema, pode comprar e me chama pra comer junto!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Amaranth - Nightwish

Quem curte Nightwish com certeza já ouviu essa música, que durante um bom tempo liderou o ranking musical em vários países europeus.
Quando ainda pensava em ter um blog, prometi que um dia faria a análise do clipe, então aí vai. Pra quem não conhece, vale a pena assisti-lo, um dos mais bonitos que já vi.

sábado, 27 de agosto de 2011

Um dia desses... # 01


Tem um lugar na minha cidade onde tomo café de vez em quando e fico de conversa com o dono, que conhece todos os bombeiros antigões do grupamento onde trabalho. Pois bem, recentemente, uma nova menina começou a trabalhar no local. Morena, estatura média, atenciosa bem como todo o pessoal dali, apesar de excessivamente séria e calada. Olhos amendoados, escuros, mas sei lá como, brilhantes. Pareciam lacrimejantes o tempo todo.. Foi devastador. Bonita, mesmo com avental e aquela touca lhe cobrindo os cabelos, que nem fazia idéia se eram longos, curtos ou seja lá de que jeito.
O que realmente me perturbou foi num certo dia andando de bicicleta no centro. Parei na lavanderia para deixar meu velho e usado terno. Quando saí do local, pelo vidro da porta vi um reflexo se aproximando pela calçada. Sou meio paranóico com gente se aproximando e sempre fico de olho nas pessoas a minha volta, inclusive sob o reflexo de portas, janelas, espelhos... Dei uma rápida olhadela enquanto tirava o cadeado da minha bicicleta quando vi a dona do reflexo: uma garota simplesmente linda passando por mim. Quando concluí que não era uma ameaça (paranóia...) voltei-me para meus afazeres, mas de imediato vi que aquele rosto não era estranho. Fiquei na dúvida se era realmente a garota que me servia café, mas então tive certeza quando a mesma me olhou naquela fração de segundo que pessoas desconhecidas se encaram quando passam. Nesse ínfimo segundo, seu lábio se mexeu e um sorriso saiu dali. Não tive reação. Foi rápido demais. Ela passou e eu imediatamente voltei-me para a bicicleta. Perturbado. Aqueles olhos tristes encobrindo um sorriso estranho, quase de desdém. Um sorriso quase maligno. O que aquela expressão quis dizer, me intriga até hoje. Pelo menos até o próximo café.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quando outrora era Início...

Não leve este blog (tão) a sério. É um experimento de escrita pra ver se volto a velha forma de antes.
Antes que alguém me pergunte o que é Outonna, nem eu sei ao certo, mas Outonna nasceu em mim em 2005, quando tudo que me frustrava foi canalizado em um teclado antigão, um caderno de ata já surrado e antigos papéis desenhados que já nem existem mais.
Como post de estréia, acho que vale a pena me apresentar e descrever minhas intenções. Mas como não tenho paciência para escrever um texto extenso sobre mim, assim como aposto que você não terá paciência pra ler tanta baboseira, fica abaixo um questionário que respondi certa vez, quando ainda pensava se escrevia um blog ou não. O problema é que é tão longo quanto, e com baboseiras em igual teor, o que inevitavelmente testará sua paciência... Mas, enfim, lá vai...