Quando criança, cultivei um
ambicioso sonho de ser aventureiro. Na verdade, não tinha exata noção do que
significava ser um aventureiro nos dias de hoje, apenas tinha a aspiração
inocente de ser como os heróis dos filmes, livros e quadrinhos que eu
avidamente devorava. E esse sonho se resumia basicamente em viajar,
conhecer muitas pessoas e lugares. A parte de ser justiceiro – e lutar contra
monstros – eu já sabia que não seria possível, mas enfim, era uma zona de
conforto me imaginar um jovem forte e independente, a despeito da minha real
situação, de um moleque magrelo e medroso.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Corra, garoto, corra!
Guarapuava é um lugar frio,
cinzento, mas me traz a aconchegante lembrança de ser minha casa. Maringá é
quente, verdejante, e alegre. Campo Mourão – apesar da violência
desproporcional para seu tamanho – é uma cidade simples, quieta e constante.
São José dos Pinhais não é nada
disso.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Meu pequeno pedaço de paz
Toda pessoa precisa de seu porto
seguro. E a cada cidade que passei, procurava um pequeno cantinho, um lugar que
me desse inspiração, calma e, de vez em quando, força para continuar vivendo
minha Demanda...
Em Campo Mourão, o Bosque do Lago
cumpriu essa função.
Sempre que meu turno terminava no quartel, às 8 horas da
manhã, vestia meu uniforme de educação física e corria até o bosque, perfazendo
então mais algumas voltas na pista interna e parando para descansar no pequeno
parque, em meio ao gramado, de frente para o lago e ao lado de uma frondosa
árvore. Esse momento de descanso era sagrado. Acalentava-me nos dias que o
fardo parecia muito pesado. Aliviava a distância de casa, a culpa pelas vítimas
que não sobreviveram, as brigas no quartel, o turbilhão de cenas perturbadoras
que um bombeiro vê turno após turno. Ali eu podia socar o chão, olhar para o
lago tão manso e, eventualmente, chorar um pouco. A solidão era minha amiga
nessas horas, pois sempre corria no bosque pela manhã, horário pouco
frequentado, exceto por um senhor cinquentenário com preparo físico invejável e
um coronel aposentado da Polícia Militar, que corria no local diariamente.
Hoje, em São José dos Pinhais,
esse lugar seguro é o telhado da academia, no posto de bombeiros da Infraero,
no Aeroporto Internacional Afonso Pena. Uma longa escada vertical na parede
externa do edifício leva até uma laje, onde a razoável altura proporciona uma
vista privilegiada. Ao leste, a serra do mar paranaense, com seus montes
escondidos no dégradé de nuvens.
Logo atrás, a oeste, São José dos Pinhais,
pequena e ricamente abençoada quando o sol se põe num banho de luz avermelhada.
Ao norte, é possível ver Curitiba em toda sua imensidão. E logo à frente, uma
privilegiada visão das aeronaves decolando e pousando, numa atividade
barulhenta e constante, 24 horas por dia, sete dias por semana. Eventualmente,
gosto de subir nessa laje e ver o momento exato em que os aviões deixam o chão
e ganham o céu, além de ver quais pilotos conseguem pousar com mais suavidade
na pista de mais de dois quilômetros que atravessa o aeroporto. Para um
bombeiro simples, ver essas máquinas de perto, voando com toneladas de carga e
dezenas de pessoas, é fantástico. É quase um fascínio de infância.
Lembro que em Maringá – onde
iniciei minha jornada de nova vida – eu não adotei um cantinho de paz. O mais
próximo que tinha disso era o fliperama do shopping Avenida Center, onde
extravasava a aflição da escola de soldados nas máquinas de Pump e no cinema.
Mas, óbvio, aquele era um local de grande concentração pública, onde
fervilhavam vozes e a egrégora não era a de silêncio. Somente no final da
escola conheci um Box que vendia tapioca no Mercado Municipal de Maringá. Ali
fiz boas amizades, apesar de breves, e tinha um lugar mais calmo para aliviar e
organizar as idéias. Meu humor melhorou e minhas notas no curso também... Se eu
tivesse adotado um pequeno pedaço de paz logo no início de minha demanda em
Maringá, acredito que muitas coisas teriam sido diferentes. E diferentes para
melhor.
Procure também seu pequeno pedaço
de paz, caso ainda não o tenha. E um dia me chame pra contar a diferença que
isto fez. ;-)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Por Deus, pela Pátria, por DeMolay # 04
Desde o fatídico dia que passei
pelo Portal Meridiano, meu mundo se tornou outro. Assim como de muitos Irmãos
que convivia em Capítulo. Alguns mudaram de estado, indo trabalhar em cidades
onde as oportunidades eram melhores. Outros, por sua vez, se espalharam pelo
Paraná, especialmente Curitiba, para se prepararem para concorridos
vestibulares. Já eu, fui para o norte, morando um tempo em Maringá, e mais
outros dois anos em Campo Mourão.
Esse afastamento não deixou de
ser sofrido. Tão acostumado à convivência de Irmandade, essa desconstrução me
tornou inevitavelmente mais solitário, e de certa forma, perdido. Tive o
privilégio de conviver com vários DeMolays das cidades que gentilmente me
acolheram, mas tive de amargar a sensação de que a “era” que vivi no Capítulo
Eugênio Mancuello chegara ao fim. Agora eram outros DeMolays, uma nova geração
que iria escrever sua própria história no Capítulo, e que eu, juntamente com
todos os jovens que passaram por lá, nos tornamos apenas histórias, vultos,
lembranças de atas...
Entretanto, no meio dessa pequena
desolação, me permiti ser feliz de novo. Vez ou outra, encontro com os antigos
companheiros de Templo. Destaco especialmente dois reencontros. O primeiro
deles foi com meu xará Fábio Suenaga, vulgo “Japetos”. Cientista da Computação
que hoje vive em São Paulo, numa carreira promissora. Nesses felizes “acasos”
do destino, resolveu visitar Guarapuava nos mesmos dias que eu estava de
férias. Marcamos um reencontro entre a maioria
dos DeMolays Seniores de nossa época, e nos embalamos num Happy Hour, entre lembranças e sonhos futuros. Um encontro
breve, mas que valeu cada minuto.
O segundo reencontro foi com meus
Irmãos Lucas Zago e João Neto, ambos estudando em Curitiba. O primeiro no
caminho para concluir o curso de direito, e o segundo, estudante pré-vestibular, futuro médico. Pela ocasião de minha transferência para São
José dos Pinhais, nossa distância diminuiu, o que permitiu combinarmos uma
saída como nos velhos tempos, embalada a muita pizza, refrigerante, pizza,
reclamações, pizza de novo, e uma comemoração em especial: a aprovação do João
Neto em Medicina. Conquista celebrada com... pizza. Mais um dia que valeu a
pena. Tanto tempo longe, mas a conversa fluía como se estivéssemos convivendo
diariamente. E de certa forma estávamos mesmo. Lá se foram um, dois, três anos,
mas uma velha chama de Irmandade insiste em se manter viva, mesmo com
distâncias aparentemente tão grandes. E hoje, neste ocaso de 2012, nossos
caminhos divergem novamente. O futuro Dr. João Dias Neto em breve vai para o
Rio de Janeiro, e meu companheiro Lucas “Bigode” Zago entra em férias e volta
para Guarapuava. Mais uma vez meu caminho se torna solitário por aqui, mas com
uma acalentadora certeza. Meus amigos estão por aí, distantes, mas sempre
próximos em coração.
Viver estes momentos me mostra
que o Paraná nem é tão grande assim. E provavelmente o Brasil também não.
Geografia não vence certas amizades. Certas Irmandades.
Isto é mais uma coisa que devo
agradecimentos a Frank Sherman Land.
Um Tio, um Irmão, o precursor de
um sonho. Que, a propósito, está quase
chegando a seu primeiro centenário!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Por Deus, pela Pátria, por DeMolay # 03
Dia oito de novembro, DeMolays do
mundo inteiro reverenciam a memória de Frank Sherman Land, fundador da Ordem
DeMolay. E eu, como Chevalier, cumpri meu compromisso de partilhar o pão,
jantando com seis Irmãos pelos quais tenho muita estima e apreço.
É estranho se sentir um irmão
mais velho, uma liderança adulta dentro da Ordem. Lembro-me tão claramente de
minha Iniciação, quando ainda era pouco mais que uma criança, excessivamente
agitada e curiosa. Era 19 de outubro de 2002... E lá se foram 10 anos, quando
me deparei com o portal da Maioridade e o cruzei, até chegar nesse ponto, onde
sou um misto de Irmão e Tio... O Rio da Vida correu caudaloso e continua sua
jornada.
Já que não posso impedir o Rio de
prosseguir, espero apenas que nesta nova fase, onde finalmente estou começando
a me ver como um homem (no sentido de maturidade), eu possa desenvolver um
caráter tão notório e íntegro quanto de Dad
Frank, o que não é uma missão fácil, considerando que o presidente Harry
Truman disse uma vez: “Frank gosta de mim apesar de todos os meus defeitos; e
eu gosto dele porque ele não tem nenhum.”
E quem sabe um dia, encontrar a
minha Nell...
sábado, 3 de novembro de 2012
Heavy Rain
E mais uma vez as coisas
resolveram mudar radicalmente. Após quase dois anos em Campo Mourão,
trabalhando no grupamento de bombeiros da cidade, aceitei uma proposta um tanto
arriscada e realizei uma permuta para o grupamento de São José dos Pinhais.
E todos os dias que envolveram
essa mudança de cidade tiveram uma atmosfera muito estranha. A começar pela
insistente chuva, que perdurou desde a sexta-feira em que fui dispensado. Tornou a viagem um desafio maior, mais
interessante e divertido de se recordar.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Um dia desses # 07
Lembrei-me recentemente de um
causo muito sem noção que aconteceu há uma penca de anos. Mais especificamente
em 2004, quando ocorreu a primeira edição do Festival de Artes da Rede
Estudantil Paranaense, o vulgo FERA. Um projeto audacioso que reuniu colégios
de todo o Estado para uma semana inteira de oficinas e apresentações
artísticas. Na época, estava na metade do ensino médio e desenhava com mais
devoção que hoje. Participei da etapa em Ponta Grossa e, no ano seguinte, em
Castro. O evento era uma verdadeira loucura. Os colégios da cidade sede serviam
como alojamentos para centenas de alunos e professores e as conseqüências disso
eram mais do que óbvias. Estes dois FERA que participei – especialmente o
sediado em Castro – estão entre as lembranças mais felizes que tenho da minha
adolescência, pois foram minhas primeiras experiências de independência, além
de me proporcionar algumas descobertas sobre a vida que eu nunca havia
experimentado antes no meu mundo de livros, videogames e bicicletas.
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